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Envenenamento mental (o lado obscuro do oráculo)

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Nossa mente ainda é um mistério para a ciência. Desconhecemos determinadas leis e fenômenos que envolvem nossa psique e sequer entendemos o modus operandi envolvido. Há algumas décadas, a Psicologia e a Parapsicologia vêm procurando encontrar respostas para os desafios e mistérios que cercam o inconsciente e todas as suas manifestações. Dos anos 90 para cá, a Neurociência vem buscando uma conexão das áreas neurais com o comportamento humano. Já a PNL (Programação Neuro Linguística) visa trabalhar com reprogramações cerebrais, feito um operador de informática. O processo se repete em práticas similares apoiadas na hipnose, em exercícios realizados por sistemas como o Silva Mind Control (ou Ultra Mind Control) e mesmo buscando a sabedoria ancestral dos kahunas, povo havaiano. Devido à complexidade de nossa mente, não sabemos o quanto podemos prejudicar alguém a partir de uma informação equivocada. Surge aí, o risco de fazer o outro se perder e cair numa armadilha. Chamo isso de envenenamento mental.

Quando desenvolvemos a prática oracular é inevitável que venhamos interferir tanto em nossa mente, como na do consulente. Antes do advento da Psicologia, restringia-se o oráculo apenas ao mundo espiritual. Acreditava-se, basicamente, que as entidades do mundo astral se pronunciavam através do oraculista. Porém, com a conscientização de que a intuição é uma expressão espontânea do ser humano, parte dessa explicação tornou-se mito e a outra parte cabe a todos aqueles que trabalham “incorporados” durante uma leitura oracular, embora um bom número de praticantes se diga inspirado por “algo espiritual”. Creio que não é impossível que ocorram manifestações espirituais durante uma leitura, porém, o bom senso deve prevalecer e precisamos reconhecer nosso grau de participação, já que o conhecimento simbólico é o primeiro passo para domínio da prática.

Ao trabalharmos com símbolos, naturalmente aguçamos determinados canais (sutis) em nosso ser. A intuição se torna latente, pois o símbolo provoca uma abertura entre o consciente e o inconsciente. Muitas pessoas relatam que passaram a lembrar com mais frequência de seus sonhos, os insights ficaram mais intensos, e a percepção e sensibilidade ao mundo à volta desenvolveram-se. O artista que trabalha com imagens (ou o imaginário) costuma experimentar as mesmas sensações, embora não comprometa-se com algum tipo de interpretação simbólica, deixando ao encargo do observador a compreensão de sua obra.

Cabe ao oraculista a responsabilidade de transmitir corretamente a interpretação a partir da simbólica revelada. Costuma-se dizer, por exemplo, que o tarô NUNCA erra e que é o tarólogo o equivocado; penso que tudo esteja entremeado, ou seja, se o tarô (enquanto oráculo) precisa da voz do intérprete para “ganhar vida” e, se este não estiver devidamente preparado e amadurecido interiormente poderá “conduzir a leitura”, forçando inclusive a uma compreensão errônea por parte do consulente. Devo lembrar que o tarô, por si só, não tem autonomia se não existir o praticante. E, se este não tiver o domínio da interpretação, o tarô mais confundirá do que elucidará. A leitura oracular, seja ela qual for, pode levar o consulente às alturas ou empurrá-lo para um abismo.

Preocupo-me, particularmente, com a imposição interpretativa. Quando o oraculista faz a revelação e não dá margem de escolha para o consulente, tratando o assunto de forma fatalista, costumo chamar de envenenamento mental. Trata-se de uma programação mental negativa através da qual o indivíduo se torna escravo (por temor ou insegurança) da informação, crendo de tal forma nesta, que será capaz de materializar o quadro. Há uma frase em Jó (na Bíblia) que diz: “porque aquilo que temia me sobreveio e o que receava me aconteceu” (Jó, 3:25). Essa é uma frase muito ilustrativa de como o medo pode interferir nos acontecimentos e mudar o rumo dos fatos a partir de nossos pensamentos.

Considero o envenenamento mental o lado mais obscuro do oráculo (da leitura oracular). É a forma mais típica do oraculista manipular o consulente, que se coloca sem defesas, receptivo e totalmente crédulo diante da leitura oracular. O grande despreparo dos praticantes coloca em risco importantes decisões e rouba a autonomia de quem o procura, tornando-o incapaz de livres escolhas perante a vida. O oraculista ganha “poder” por considerar-se “dono do destino” do consulente, gerando dependência por parte deste. Quanto maior o medo do consulente, maior será a angústia em obter determinadas respostas (aumentando a procura) e, consequentemente, maior será a influência do praticante perante aquele que consulta. Ou seja, o oraculista passa a “ganhar” em cima da desgraça do outro.

As leituras sobre o futuro costumam vir carregadas de vícios. Quem se acostumou a falar de mortes, separações, acidentes, doenças, falências e outras fatalidades da vida, não tem preocupação alguma em passar as informações ao consulente (para quem interpreta, é como se estivesse falando de futebol). Para quem transmite pode até parecer normal, mas para quem ouve, é impactante. Por isso, as leituras devem (cada vez mais) evitar visões catastróficas do futuro e, caso seja necessário abordar tal(is) assunto(s), a forma de conduzir a interpretação deve ser suave, sem transparecer para o consulente que não há escapatória ou nada pode ser feito. Nosso papel é o de preparar o consulente para a vida, capacitando-o à superação de si mesmo e dos obstáculos pelo caminho; se colocamos o problema sempre maior que o consulente, estamos obrigando-o covardemente a um tipo de sofrimento, e este se tornará uma espécie de expectador imobilizado pelo medo, assistindo as desgraças como um filme de terror.

Fundamental que o oraculista esteja centrado e não leve para dentro da leitura os seus problemas. Muitos casos de envenenamento mental se dão por projeções do praticante em cima do consulente, levando a crer que a solução do problema não há de chegar porque problema similar vivido pelo praticante não está sendo resolvido a contento. O nível de isenção deve ser alto, para não ocorrerem julgamentos pessoais que interfiram na interpretação final da leitura. Vale lembrar que somos intermediários, apenas intérpretes do oráculo e a leitura pertence ao consulente, e não a nós.

Previsões normalmente são passíveis de mudanças. Aquele que crê que o futuro está totalmente delineado, escrito, está equivocado. Nossas ações e decisões no agora constroem o nosso futuro, basta que conscientemente sejamos capazes de assumir a nossa vida e dispor-nos a mudar. Quem prevê o futuro sem dar a liberdade de escolha ao consulente está roubando-lhe a liberdade de ser e também, de ter.

Sempre que realizar uma leitura para alguém, tenha cuidado no que vai dizer. O consulente espera de nós soluções (na forma de dicas, sugestões e opções, e não mais problemas), não se torne um oraculista portador de maus augúrios, sempre ofereça uma saída, por mais simples que ela pareça. Oferecemos escolhas e não escrevemos a vida de ninguém.

BIBLIOGRAFIA:
LEWIS, H. Spencer. Envenenamento mental. Rio de Janeiro : Renes, 1983 (Biblioteca Rosacruz, vol. 19).

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