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Michael Jackson e o Valete de Copas
4 de julho de 2009

O símbolo é a linguagem do inconsciente. É a melhor forma de expressar um conteúdo psíquico, manifestando codificadamente múltiplas informações e indicações através de nossa alma. Externamente o encontramos nas diversas narrativas míticas, na arte, nas crenças, etc.; internamente, manifesta-se através do vasto campo onírico, na imaginação viva de cada um, enfim, ele pulsa em nós e é importante caminho de ligação e interpretação do ser humano a partir do  seu complexo mecanismo psíquico.

A linguagem-mãe da humanidade é a simbólica. Com o passar dos séculos, o homem foi desconectando-se mais e mais de seus símbolos originais, tornando-se um ser essencialmente racional e lógico, provocando assim uma dissipação dos seus conteúdos inconscientes mais ricos, separando-o de sua real natureza, levando a humanidade à uma crise por novos valores simbólicos, trazendo sérias implicações para o autoconhecimento, fazendo o homem sentir-se só no universo. Os fenômenos naturais perderam lentamente suas implicações simbólicas, segundo Jung: “O trovão deixou de ser a voz de um deus zangado, e o raio, o seu projétil vingador. Nenhum rio possui um espírito, nenhuma árvore é o princípio vital do homem, nenhuma cobra é a corporificação da sabedoria, nenhuma caverna na montanha é a casa de um grande demônio. Pedras, plantas e animais já não têm vozes para falar ao homem, nem o homem fala com eles acreditando que possam ouvi-lo. Seu contato com a natureza partiu, e com ele partiu também a profunda energia emocional que sua simbólica conexão produzia” (O Homem e Seus Símbolos – Jung e colaboradores).

Neste início de século há um emergente renascimento e reencontro do homem com seus símbolos ancestrais (podemos notar na moda, no cinema, na literatura, etc.). Uma coisa é certa: o homem precisa relacionar-se a nível anímico com estruturas simbólicas, pois, do contrário, muitas psicopatologias criarão cada vez mais espaço no cenário humano.

Mas, como podemos entender a relação entre o símbolo e a cura psicológica do homem? Em primeiro lugar, vamos entender que o símbolo supre e alimenta a estreita ligação entre consciente e inconsciente; sinaliza o caminho a ser percorrido, é o recurso fundamental para se chegar ao âmago da cura interior. Podemos citar, por exemplo, que se um homem não sonhasse, certamente ficaria louco; o símbolo “salta” do inconsciente, feito um “jato de vapor que sai de uma panela de pressão”, trazendo consigo alegoricamente, fortes cargas emocionais, impressões, aspectos densos da psique. A seguir, se analisarmos como um símbolo imprime forte impacto e revelação na mente humana, entenderemos que ele também pode desequilibrar um dado indivíduo, ao invés de curá-lo ( é lógico, que essa reação é muito particular), se associado a dada situação traumática ou mesmo ao despertar a força de um complexo.

Como pudemos notar, a função do símbolo não é só expressar conteúdos inconscientes; antes de tudo, ele é um regulador psíquico de grande valor, ferramenta indispensável para o caminho da individuação.

Os símbolos de cura são aqueles que proporcionam uma religação do consciente com o inconsciente, são a chave para a interpretação de um bloqueio e um estímulo para a psique se organizar novamente. Qualquer símbolo pode ser curador, desde que intervenha no processo individual psíquico e revele à pessoa informações necessárias à autocompreensão. O uso do símbolo para cura é administrado terapeuticamente, através, por exemplo, do exercício de visualizações (como no caso da meditação com mandalas) ou direcionado por um terapeuta utilizando gravuras, fazendo uma série de perguntas para o cliente, indagando-o em relação aos sentimentos manifestados. Temos também a oniroterapia, e mesmo a técnica com o tarô, utilizando-se das lâminas para orientar o cliente na sua jornada interior, tendo em mãos símbolos primordiais que podem suprir lacunas psíquicas e ajudar no caminho da individuação. Os símbolos de cura não são novidade: as antigas culturas como a grega, egípcia, indiana, dentre outras, cultivavam através de seus símbolos uma vivência feita através de antigos ritos, mobilizando a coletividade para a busca do sagrado interior, tão distante nos dias de hoje. É importante colocar que sabemos mais de simbolismo do que qualquer geração anterior à nossa. Mas, em outros tempos, “os homens não refletiam sobre seus símbolos; eles os viviam e eram inconscientemente animados por seu significado” (O Homem e Seus Símbolos – Carl G. Jung). As religiões, ainda hoje, mantém na sua ritualística uma simbólica de cura, tão avidamente procurada por nossa civilização; esse é um dos motivos principais da busca religiosa desenfreada deste milênio.

A força que está por trás do símbolo está aquém de nossa compreensão. A capacidade curadora se apóia na ilimitada expressão de sua forma e na qualidade de seu conteúdo para abrir caminhos no emaranhado psíquico, tal como o fio de Ariadne, ajudando Teseu a livrar-se do labirinto e enfrentar o Minotauro.

Bibliografia:

ALLEAU, René. A Ciência dos Símbolos. Edições 70 (Lisboa), 1982.

CHEVALIER, Jean & GHEERBRANT, Alain. Dicionário de Símbolos (Mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números). São Paulo: José Olympio Editora, 1990, 3ª edição.

EGO – GUIA DO COMPORTAMENTO HUMANO, Abril Cultural, 1975, volume 1, páginas 41 a 44.

JUNG, Carl Gustav. O Homem e Seus Símbolos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1977.

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