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O tarô e a terapia floral
4 de março de 2020
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Muitas vezes quem nos procura, o faz inicialmente com o objetivo de buscar um conselho ou orientação diante de algum problema vivido. Certamente, a procura por um tarólogo também ocorre pela curiosidade, mas a grande maioria está a viver algum drama e busca o suporte necessário para vencer a situação. Mas, há também aqueles que nos procuram apenas para desabafar.

Ao longo desses anos de atendimento, passei a notar que a carga emocional dos consulentes diante de alguns problemas era superior à dimensão destes. Ou seja, ao ouvir os relatos e analisar o quadro através do tarô, parecia-me um exagero a forma que o consulente estava a tratar a crise. Entendo que cada um encara de forma particular os desafios, atribuindo-lhes uma importância equivalente à capacidade de contornar as situações, mas por trás da aparente desejo do vencer o quadro, há muita carência e necessidade de proteção, mesmo que psicológica.

O consulente que chega falando, “abrindo o jogo”, antes mesmo da realização da consulta, é tipicamente o retrato do indivíduo carente de atenção. O ato de falar é um desabafo, naturalmente deve ser respeitado, mas limites devem ser impostos para que o trabalho não se perca dentro do tempo estabelecido para a consulta, e o consulente não dirija a leitura a partir de suas exposições e prolongadas explicações, pois o atendimento perde o seu propósito se levado dessa maneira.

É preciso esclarecer, antes do atendimento, que a abertura para perguntas ou observações será feito dentro de um dado momento (na hora certa), a não ser que o tarólogo sinta a necessidade de ouvir primeiro a história do consulente; ainda assim, creio que a introdução do consulente seja breve, sem entrar em muitos detalhes, pois cabe ao tarólogo aprofundar a análise e identificar o problema em sua raiz. Preocupo-me em demasia com bate papos longos antes do atendimento que possam conduzir a leitura de tarô. Quem nos chega, pode apenas estar defendendo seu ponto de vista, contando a sua versão da história, devemos ser perspicazes o suficiente para isentar-nos de opiniões e não realizarmos uma análise tendenciosa que agrade somente o consulente. Necessário nos lembrar que muitas vezes o consulente “mente” apenas para sair como “vítima” da situação.

Quem tem medo de dar um “puxão de orelha” em quem atende, certamente não conseguirá realizar um trabalho proveitoso. As pessoas não nos pagam para ouvir o que querem e sim, o que precisam. Enfeitar a leitura com falas bonitas, enaltecendo apenas as qualidades do consulente e seus feitos, é o mesmo que mantê-lo em estado de inconsciência, totalmente infantil. Ou seja, elogios feitos de forma inapropriada podem reforçar comportamentos equivocados e até o temperamento difícil de alguns. Oferecer saídas para determinadas situações sem participar o consulente dos seus esforços é o mesmo que oferecer segurança em algo que a responsabilidade pessoal deve falar mais alto. É preciso frisar que o problema continua sendo dele (e não nosso), cabe a nós apenas auxiliá-lo em sua superação.

O excesso de carência em ser ouvido torna o consulente alvo fácil de manipuladores. Um tarólogo pode ser considerado bom apenas porque percebeu a vulnerabilidade do outro e decidiu explorá-la, arrancando do consulente informações cruciais para desenvolver a consulta. Todo cuidado é pouco com tarólogos que perguntam mais do que respondem, pois estes certamente não se sentem seguros o suficiente para gerar um atendimento imparcial, apóiam-se no outro para chegar às suas próprias conclusões e fazerem revelações, na maioria das vezes, duvidosas. Surgem, então, os famosos tarólogos “tira dúvidas” que cobram pouco por alguns minutos de atendimento. Ou então, o tipo de profissional que apenas responde com seguidos “sim ou não” (e até talvez) para livrar-se logo do consulente.

O consulente quer atenção, antes de tudo. Acredita que o seu problema sempre é o maior de todos, ou o mais difícil, e ele é a pessoa mais sofrida naquele momento. Está ansioso para ver-se liberado de sua dor e será capaz de dizer qualquer coisa, mesmo o que não queira (e até mesmo fazer, quantos não caem em armadilhas ao pagar centenas de reais só para ter seu amado de volta ou para desfazer algum “trabalho espiritual”?) e muitos não se dão conta dos riscos dessa exposição. Ao procurar alguém que o auxilie, pode cair nas mãos de um estelionatário ou oportunista que “lhe oferecerá o paraíso”, tudo feito em nome do desespero. Ouvir o consulente é imprescindível, mas jamais devemos influenciá-lo com nossas opiniões ou interpretações superficiais do quadro, mesmo que já conheçamos parte do enredo; devemos acalmá-lo, deixá-lo à vontade e nunca dar a impressão que o problema que vive é superior às soluções possíveis, mesmo o mais grave e preocupante deles. Acima de tudo, precisamos saber ouvir imparcialmente para que as orientações cumpram seu objetivo com excelência.

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